Tem dias que eu nao tenho so saudades de quem eu amo. Esta “corta como aco de navalha”. Tem dias que eu sinto saudade tambem de pequenos habitos na vida que eu tinha e que faziam toda a diferenca. Hoje eu estou com saudade de chamar a casa onde eu moro de MINHA CASA, mesmo que ela seja apenas 1/5 minha, de tomar posse da cozinha, de ouvir o barulhinho da panela de pressao e sentir o cheiro de comidinha caipira e o gostinho dos temperos, de nao queimar a boca com pimenta, de bater um bolo sob olhares gulosos, que nao sabem contar calorias, so historias pra preencher os interminaveis 40 minutos ateh que a gente possa saber que gosto tem esse cheiro, e poder partilhar o doce, o carinho e a nao culpa por ingerir acucar, e de nao me preocupar de jeito nenhum com as “pounds” que eu vou ganhar, porque eu nao estou sozinha na missao de fazer o tal bolo desaparecer. Saudade de feriado, de sair do trabalho com a sensacao de dever cumprido e ainda ter um pouco de claridao no ceu. Saudade de tomar onibus. E de ouvir historias de estranhos, mesmo sabendo que “nao e da minha conta”. Saudade de “bandejar” e de enrolar mais meia horinha pra continuar o papo que a gente comecou depois do encontro inusitado. De receber um telefonema a qualquer hora dizendo: “estou passando ai!”. Saudade de suco natural e de roda de violao, de cantar e de fazer sentido. De contar historias interminaveis e falar mais que a boca, e de ouvir “voce fala demais!”. De nao ficar com medo do inverno.
Ai saudade de abraco… E de abraco apertado, demorado.